Um Partido e um projecto<br>que valem a pena
Dois dias depois de ter participado num almoço em Santarém, Jerónimo de Sousa esteve, no dia 10, no jantar de fim de ano da Organização Regional de Braga do PCP.
O PCP quer a ruptura com a política de direita
Cumpriu-se a tradição e o jantar de Braga realizou-se na cantina da AGERE, com direito ao habitual bacalhau cozido e rabanadas. Mais de 300 pessoas marcaram presença na iniciativa, que se realiza já há 13 anos consecutivos. Há 12 que Jerónimo de Sousa, reeleito Secretário-geral do Partido no XX Congresso, realizado no fim-de-semana anterior, participa no jantar. Apenas por dois anos a também chamada «Ceia de Natal» teve que mudar de sítio, altura em que até Jerónimo de Sousa dizia: «que saudades do bacalhau da AGERE.»
Volvido ao local de partida desde o ano passado, o jantar foi marcado pelo habitual bom ambiente, para além do prato e sobremesas típicas desta altura do ano. Dezenas de comunistas prepararam tudo desde manhã, como é hábito também, para que a iniciativa pudesse ter o reconhecido sucesso. O período de intervenções da noite ficou marcado pelo balanço do XX Congresso do Partido mas também, e antes de tudo, pela alteração de tarefas na Comissão Política: Gonçalo Oliveira, membro da Comissão Política que passa a assumir a ligação à Organização Regional de Braga, esteve presente na iniciativa.
Ana Ramôa, membro da Comissão Regional de Braga e da Direcção Nacional da JCP e ainda primeira candidata da lista C à Associação Académica da Universidade do Minho, cujas eleições se realizaram na passada terça-feira, trouxe o panorama da luta dos jovens e do papel dos jovens comunistas. O abaixo-assinado que circulou nas escolas profissionais exigindo um regime de faltas mais justo e a redução da carga horária, as acções contra o aumento do preço da cantina na Universidade do Minho (que resultaram num abaixo-assinado com mais de duas mil assinaturas) e a apresentação de uma lista unitária à Associação Académica da UM que mobilizou mais de 40 estudantes foram questões realçadas pela jovem comunista.
Ser comunista
Já António Esperança, membro do Secretariado e do Executivo da DORB, começou por afirmar que «o grandioso XX Congresso, momento maior na vida do Partido», contribuiu para que todos estivessem «mais fortes e unidos para dar corpo à luta». Destacou ainda a forte participação de delegados e convidados da Organização Regional de Braga, bem como o contributo que as suas intervenções deram ao Congresso, dando nota da actividade do Partido no distrito, da luta e dinâmica do movimento unitário dos reformados e pensionistas e da luta das empresas e locais de trabalho contra a precariedade, o medo e a pressão exercida sobre os trabalhadores.
De fora não ficou o balanço das várias lutas no distrito nem a necessidade de as continuar a reforçar; ou as comemorações, durante o próximo ano, do Centenário da Revolução de Outubro. O dirigente regional do Partido lembrou ainda a homenagem recente, no município de Braga (por proposta do vereador da CDU), a Vítor Sá e Humberto Soeiro, realçando que «também em Famalicão estamos empenhados e a trabalhar junto de outros democratas para assinalar o centenário de um outro grande nome da história do nosso Partido, que foi Lino Lima».
Ainda para 2017, não foram esquecidas as próximas eleições autárquicas e a necessidade de, nelas, afirmar o PCP e a CDU, sendo exigida a mobilização da organização em torno destas eleições: «Que cada camarada fique presente com o sentimento de responsabilidade que é ser comunista», apelou António Esperança.
Jerónimo de Sousa encerrou o momento político do jantar, numa intervenção que prendeu as atenções e na qual reafirmou o projecto do Partido.
Insistir na luta e na proposta
Tal como faria dois dias depois em Braga, também no almoço de Natal da Organização Regional de Santarém, que mobilizou 300 pessoas na Casa do Campino (pela primeira vez cedida ao Partido), o Secretário-geral do PCP insistiu na necessidade de concretizar uma política patriótica e de esquerda, capaz de libertar o País da submissão, dependência e constrangimentos impostos pelo euro, de renegociar a dívida, de recuperar os recursos e os sectores estratégicos nacionais, bem como o seu direito inalienável ao crescimento, ao desenvolvimento e à criação de emprego.
O Secretário-Geral do PCP sublinhou ainda que o Partido não desistirá da luta pelo aumento dos salários e pela fixação do Salário Mínimo Nacional em 600 euros já em Janeiro, pela alteração dos aspectos gravosos da legislação laboral, nomeadamente a caducidade da contratação colectiva, pelo combate à precariedade e ainda pela defesa e valorização das funções sociais do Estado, nomeadamente o Serviço Nacional de Saúde, a Escola Pública, os transportes e a cultura.